Hunter: O Caçador de Monstros – Kate Willians

HUNTER_1462906584583702SK1462906584BHunter: O Caçador de Monstros
Caçadores de Santa Fé #1
Autora: Kate Willians
Ano: 2016 / Páginas: 286
Idioma: Português
Editora: Coerência

Sinopse: Não existem heróis, tampouco vilões. Por trás de atos raivosos e atrocidades tenebrosas, há sempre uma verdade triste. Ninguém consegue mascarar a maldade que há dentro de si, por muito tempo. Hunter, O caçador de monstros, conta a história de Nicholas Blanco – um adolescente comum, com objetivos comuns e aparência mais comum ainda – que se depara com uma verdade surpreendente sobre seu passado e a confirmação que pode ser e fazer muito mais do que o que sempre imaginou para o seu futuro. Conta também a história de Ramon Blake, um jovem caçador no passado, que teve o amor de sua vida brutalmente arrancado de si e se deixou dominar pela dor e pelo ódio. Essa é uma história sobre caçadores que descobrem ser tão ou mais horríveis que as próprias criaturas que caçam.

Resenha:  Se você gosta de Supernatural, talvez você deva conhecer os Caçadores de Santa Fé!

Eu logo de cara gostei do universo e a mitologia do livro. Acho que o modo com que foram penadas todas as famílias de caçadores, como se relacionam uns com os outros e com as outras criaturas, foi muito interessante. Fiquei curiosa em saber onde tudo ia chegar e descobrir logo tudo.

Com relação à narrativa da história, achei que tiveram algumas expressões usadas pelos meninos que foram desnecessárias, expressões como “deixa de ser bichinha, mano” são extremamente antiquadas e reforçam homofobia. Não concordo com o uso dessas expressões apenas para parecer mais real, sem uma problematização e um pensamento crítico. Além de que tem cenas que são infantis demais, que os meninos não podem nem dar as mãos que dão risadinhas de “vamos virar gays agora”, isso é desnecessário! Eles poderiam apenas revirar os olhos, como adolescentes normais, eles poderiam fazer tantas outras coisas que também mostrassem o quanto estão odiando essa situação…

O fato de tanto a Sara quanto o irmão Jason terem uma vida romântica bem ativa e só ela ser orientada a mudar de atitude é preocupante e essa diferença poderia ter sido comentada. Fora que ainda é contraditório o Nick se preocupar que os meninos falem da Sara enquanto ele ri do comentário de Jason de que tem uma menina que “é só comida”. Quer dizer, você não gosta que falem da sua amiga, mas fala dos outros? Você é parte do problema, amigo.

A autora me justificou essa situação de que esses diálogos existem porque a maioria dos personagens são homens e vivemos numa sociedade machista e que ela quis retratar a realidade. Eu acho que isso não a exime de responsabilidade em discutir sobre isso, em fazer os personagens questionarem, com uma frase que seja!, se isso era o certo a fazer, principalmente em um livro para jovens. Quando um ator coloca isso num livro para jovens, pessoas que ainda estão em formação, e não discute esses temas, acaba sendo conivente com uma cultura problemática, e isso não ajuda ninguém. Senti que esse livro precisava de uma escrita mais madura e consciente de seu público.

Minha última observação sobre a narrativa/escrita é que tem alguns detalhes que parece que faltaram ser pesquisados. Santa Fé, Novo México, é  nos Estados Unidos… Eles não deveriam falar inglês misturado com espanhol? Ou só inglês? Faz sentido a família do Jason ser de lá, porque obviamente Blake é um sobrenome bem americano. Mas daí todos falarem em espanhol? E ainda falarem português? É no mínimo estranho. Eu precisava de mais explicações para entender o que estava acontecendo…

Outra coisa é que não existe teste de gravidez que seja realizado em tão pouco tempo quanto foi no livro… Eu posso acreditar em lobisomens, vampiros, fadas, sereias, mas você não pode inventar do nada que um teste de gravidez de farmácia vai comprovar alguma coisa com apenas poucos dias após o sexo. Isso é simplesmente irresponsável.

Outra coisa que não gostei é o excesso de “vilões”. É importante que o leitor sinta um perigo iminente, que sinta medo dos personagens malvados na história, mesmo que eles tenham um motivo para serem maus. Existem vários “vilões” nessa história: o pai da Sara e do Jason, o Ramon; o Walter, chefe da Academia de Caçadores; a Sereia e o Capanga dela; os Monstros

E pra mim, o problema de ter tantos vilões é que no final, você não sente medo de nenhum. O Ramon, que é o culpado de todos os problemas dos personagens, e quer a morte da Sara e do Nick, em determinado momento é vitimizado e parece que a autora quer que sentimos pena do que ele tá passando, mas depois de toda a maldade que ele faz, não consegui sentir pena. Dá pra entender a história dele, mas ele não é bonzinho só porque tem um passado triste. Todo mundo pode ter um passado triste e nem todo mundo vira mal.

O Walter é um vilão que a gente sabe que ele tá o tempo todo armando alguma coisa e mentindo, e só no final entendemos que ele é malvado de verdade, mas o plano todo dele parece um acaso, parece que tudo aconteceu sem querer e ele acabou conseguido o que queria. A Sereia é uma vilã que ninguém esperava. No início, ela aparece em flashbacks, aí de repente descobrimos que ela também está no presente e querendo matar todo mundo rs. Parece OUTRA história completamente diferente e eu fiquei meio “que??”, esse arco todo e o plano de vingança dela é tão à longo prazo, com tantas coisas que poderiam dar errado, que parece trabalhoso demais para ser real. E os Monstros… tipo quê monstros? Eles passam mais tempo brigando uns com os outros do que com os caçadores, eu acho.

Eu acho que muita coisa ser melhor explicada, sobre quanto tempo Ramon ficou fora e como os dois Jason e a Sara ficaram esse tempo todo sozinhos tendo apenas 16 anos. Faltou também termos uma noção de tempo sobre os fatos da história, em todos os momentos, não sabemos quanto tempo se passa e pode confundir as pessoas. Faltou a ideia ser melhor explorada, adorei a premissa do livro, da Academia de Caçadores e que cada tipo de Caçador tem uma função nesse sistema é incrível, poderia dar uma ótima história, mas vamos com calma. Acho que talvez se ele livro fosse mais introdutório e menos ousado, com apenas um vilão a ser redimido ou humanizado, teria mais tempo para explicar como tudo funciona, teria encontrado menos furos no roteiro e gostado mais.

Além disso, achei também que houveram cenas pesadas demais, cenas de sexo e estupro que poderiam ser menos detalhadas. Eu pessoalmente não recomendaria para jovens com menos de 16 ou 18 anos.

Recomendado para fãs da série Supernatural, quem gostou de Inquebrável (Kami Garcia) e Filha da Tempestade (Richelle Mead).

Disclaimer: Como o livro que os blogueiros parceiros receberam da autora não estava na versão final, pedi aprovação da autora para publicação e ela confirmou que os detalhes que critiquei estão todos na versão final do livro.

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10 comentários em “Hunter: O Caçador de Monstros – Kate Willians

  1. Oi, tudo bem?
    Sua resenha está ótima, muito bem detalhada e sincera. Nossa, quantos pontos negativos nessa obra! Concordo com você, apesar de ainda não ter lido, que há diálogos e cenas pesadas, desnecessários. Que pena, poderia ser uma leitura mais leve e divertida. Achei o enredo um pouco confuso. A premissa não me chama a atenção. então deixo passar a dica. Beijos.

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  2. Olá, tudo bem? Você é super corajosa em colocar todos os pontos positivos e negativos e principalmente ser sincera na sua resenha, gostei muito disso! Além do mais que o livro é de parceria, então sinceridade é MARAVILHOSO tanto pro autor, quanto pros leitores do seu blog. A Kate é um amor (tu também sabe haha) e eu gostei que ela também aceitou que tu publicasse tal resenha.

    Mais eu não aguentei e vim correndo comentar após ler, haha. A autora comentou contigo que vai haver uma segunda edição do livro e também que a saga vai continuar?

    Quando eu fiz a resenha do mesmo livro, não achei necessário um segundo livro para série, pois acredito que todos os pontos foram fechados na história. Porém, algum ponto que você comentou na sua resenha eu não concordei (então vim gentilmente comentar hehe). Sobre o ponto que você comenta o modo como os meninos falam, e como eles se comportam perante a Sara.

    Bom, acredito que seja isso. Obrigada pelo espaço e vou sempre acompanhar o seu blog!

    Curtido por 1 pessoa

    1. A resenha não passou pela “aprovação” da autora. Eu iria publicá-la de qualquer forma, apenas dei a oportunidade para ela corrigir algumas críticas que poderiam não bater com a versão final do livro.
      A Kate pode ser um amor de pessoa, mas tive MUITOS problemas com o livro, principalmente com a forma que ela retrata os adolescentes.
      Enfim, não sabia que ia ter uma reedição, nem continuação. Acho que já deu para perceber pela minha resenha que não tenho interesse em ler nenhuma das coisas. Esse livro não foi para mim, talvez eu tente outra série dela algum dia.

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  3. Ola. Eu entendi sua sinceridade. Porém achei que deveria ser um pouvo menos critica, afinal é um livro. Eu ainda nao li hunter. Mas conheço a forma da escrita da Kate e gosto mto. Sei que nao teve maldade em sua partes, como esse tipo de brincadeira. Afinal sabemos que crianças e rapazes fazem exatamente isso. E acho q isso já é a critica. Nao estou aqui para defendê-la ou defender seu livro. Como disse não o li. Mas achei a resenha critica demais. Só tem pontos negativos no livro? Tantos assim? Será q só pq nao gostou os outros não vão gostar? Acho que poderia ter pegado mais leve no seu ponto de vista. Você está tirando a chance de outras pessoas lerem e terem opiniões diferentes. Afinal nem tudo é ferro e fogo e precisa ser problematizado.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Discordo, eu acho que quando se faz um livro para jovens, adolescentes que ainda estão em desenvolvimento, é preciso ter responsabilidade e pensar no público a quem se destina. Para mim, o modo como ela retrata os adolescentes é exagerado e caricato. Falo isso, tendo conhecimento de causa, pois já trabalhei em escola.
      A pessoa que ler essa crítica também pode escolher entre ler ou não o livro, sabendo desses pontos. E depois também pode me criticar para ver se eu exagerei ou não.
      Você pode ler uma crítica e concordar com ela ou não, mas eu não vou deixar de criticar algo que não gosto. É para isso que eu tenho um blog.
      Se você não gosta de problematizar, faça sua resenha sem se preocupar com as implicações sociais/culturais dos livros, eu me preocupo.

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